Calor extremo transforma-se em risco económico para a Europa
O clima deixou de ser apenas uma variável ambiental: já influencia inflação, produção industrial, transporte de mercadorias, política monetária e procura por novos instrumentos financeiros.
Cadeias de abastecimento sob pressão
Temperaturas recorde e níveis excecionalmente baixos no Reno estão a limitar cargas e a suspender alguns serviços de transporte, elevando custos para centros industriais europeus. O rio movimenta cerca de 285 milhões de toneladas de mercadorias por ano e é uma ligação essencial para a indústria alemã.
Inflação e crescimento
Secas, incêndios e ondas de calor ameaçam colheitas e preços alimentares, enquanto bancos centrais equilibram o risco de inflação com menor crescimento. Um estudo da Universidade de Mannheim e do BCE estimou que eventos meteorológicos reduziram a produção europeia em 0,3% no verão passado e que a perda acumulada poderá chegar a 0,8% até 2029.
Mercados adaptam-se
Fundos de obrigações de catástrofe administram quase 38 mil milhões de dólares, mais 70% do que em junho de 2023, e o volume de futuros meteorológicos europeus subiu perto de 30% este ano. Retalhistas e fabricantes de climatização beneficiam da procura, mas o aumento do risco obriga empresas a rever seguros, logística e continuidade operacional.
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