Portugal revê em baixa a riqueza das famílias, mas confirma subida real de 21%
A habitação fez crescer o património, mas a média esconde uma distância enorme entre famílias jovens ou pobres e os agregados no topo da distribuição.
O que aconteceu
O INE e o Banco de Portugal republicaram o Inquérito à Situação Financeira das Famílias após detetarem um erro nos ponderadores. A riqueza líquida de 2024 foi revista cerca de 7% em baixa face ao valor divulgado em maio. Ainda assim, a média ficou em 278,3 mil euros e a mediana em 143,3 mil euros, aumentos reais de 20,6% e 21,9% relativamente a 2020, impulsionados sobretudo pela valorização da habitação.
Porque importa
A média nacional não descreve a situação da maioria. A riqueza mediana dos 20% de famílias com menos património era apenas 1,3 mil euros, contra 962,1 mil euros entre os 10% mais ricos. Os ativos financeiros continuam concentrados em depósitos e 41,7% das famílias tinham dívida. A correção estatística não altera a conclusão central: o património cresceu, mas de forma muito desigual.
O que acompanhar
Preços da habitação, acesso dos jovens à propriedade, concentração do património, evolução da dívida com juros elevados e futuras revisões que permitam separar ganhos nominais no imobiliário de melhoria efetiva da capacidade financeira.
Fonte original
Ler na INE e Banco de Portugal ↗