PULSO

2 de agosto de 2026

EDIÇÃO 05

EDIÇÃO 05 / 02 AGO 2026

A IA já move o comércio mundial — e Washington entra na batalha do iene

A inteligência artificial já está a reorganizar exportações, cadeias industriais e estratégias empresariais. A Coreia do Sul acelera com chips e computadores, o México torna-se central no fornecimento de servidores e a Uber regressa aos veículos autónomos através de parceiros. Nos negócios, Estados Unidos e Japão intervêm no iene, os juros norte-americanos atingem máximos de 19 anos, a BYD cresce graças às exportações e o Luxemburgo entra nas férias coletivas da construção.

8 notícias verificadas4 IA4 Negócios

01 / INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

04 NOTÍCIAS

01

Tribunal deixa avançar proibição de aplicações ‘nudify’ no Minnesota

Um juiz federal recusou o pedido da xAI para suspender imediatamente a primeira lei estadual norte-americana dirigida às aplicações que criam imagens sexualizadas sem consentimento.

Telemóvel e silhueta humana protegidos por uma barreira jurídica contra a manipulação de imagens por inteligência artificial

A decisão é uma derrota processual imediata para a xAI, mas ainda não resolve a questão constitucional no centro do processo.

O que aconteceu

A lei do Minnesota entrou em vigor a 1 de agosto. A xAI tentou obter uma ordem temporária que impedisse a sua aplicação, alegando que a proibição era excessivamente abrangente e que existiam alternativas menos restritivas. O juiz Donovan Frank recusou a suspensão imediata e destacou o atraso da empresa: o pedido foi apresentado a 29 de julho, quase três meses depois da assinatura da lei e apenas três dias antes da entrada em vigor. O processo continua, com audiência sobre a injunção preliminar marcada para 19 de agosto.

Porque importa

É o primeiro grande teste judicial à possibilidade de um Estado responsabilizar diretamente fornecedores de IA pela criação de imagens íntimas falsas. A decisão não confirma ainda a constitucionalidade da lei, mas permite que a proibição produza efeitos enquanto o tribunal analisa o mérito. O caso ajudará a definir se filtros e mecanismos de denúncia são suficientes ou se determinadas funcionalidades têm de ser tecnicamente bloqueadas.

O que acompanhar

A resposta do Minnesota, a audiência de 19 de agosto, a decisão sobre a injunção preliminar, eventuais alterações nos mecanismos de geração de imagens do Grok e a adoção de leis semelhantes noutros Estados e na União Europeia.

FONTES ORIGINAISTribunal Federal do Minnesota TechCrunch
02

Procura por IA faz exportações sul-coreanas crescerem 62,8%

As exportações de semicondutores aumentaram 179% e as de computadores 404%, mostrando a dimensão económica do investimento mundial em infraestrutura de IA.

Fábrica de semicondutores sul-coreana ligada a contentores e servidores destinados à exportação

A corrida à infraestrutura de IA já aparece no comércio externo de países inteiros, mas também aumenta a dependência de um ciclo de investimento concentrado.

O que aconteceu

As exportações da Coreia do Sul atingiram 98,89 mil milhões de dólares em julho, uma subida homóloga de 62,8% e acima da previsão mediana de 59% recolhida pela Reuters. As exportações de semicondutores aumentaram 179%, apoiadas pela subida dos preços das memórias, e as de computadores cresceram 404%. Segundo o Ministério do Comércio sul-coreano, a procura está ligada ao investimento em IA das grandes tecnológicas norte-americanas. As vendas para a China cresceram 96% e as destinadas aos Estados Unidos 69%.

Porque importa

Os números oferecem uma medida concreta do investimento em inteligência artificial. A procura já não aparece apenas nos orçamentos das grandes tecnológicas: está a alterar exportações, produção industrial e saldos comerciais. Existe, porém, um risco de concentração. Uma desaceleração dos centros de dados, uma queda dos preços das memórias ou novas restrições comerciais poderiam atingir simultaneamente crescimento, emprego e receitas fiscais sul-coreanas.

O que acompanhar

O ritmo de investimento das grandes tecnológicas norte-americanas, os preços das memórias de alto desempenho, a capacidade produtiva da Samsung e da SK Hynix e a sustentabilidade do excedente comercial sul-coreano.

FONTE ORIGINALReuters
03

México já fornece 40% dos servidores importados pelos Estados Unidos

O crescimento dos centros de dados transformou o México numa peça central da infraestrutura norte-americana de IA, mas o impacto no emprego local continua limitado.

Servidores produzidos no México atravessam uma rota logística em direção a centros de dados nos Estados Unidos

A infraestrutura de IA norte-americana depende de uma cadeia produtiva transfronteiriça que qualquer revisão do USMCA pode tornar mais cara.

O que aconteceu

Segundo uma análise do Financial Times, o México forneceu cerca de 40% das importações norte-americanas de servidores durante 2026. Empresas taiwanesas como Foxconn e Pegatron expandiram a produção mexicana para beneficiarem da proximidade dos Estados Unidos e das condições do acordo USMCA. Em maio, o México terá sido o maior fornecedor mensal de servidores aos Estados Unidos, com a produção concentrada em regiões como Ciudad Juárez e Jalisco.

Porque importa

A infraestrutura de IA norte-americana é menos doméstica do que a narrativa política sugere. Chips, servidores, refrigeração e outros componentes atravessam várias fronteiras antes de chegarem aos centros de dados. Isso torna a revisão do USMCA particularmente importante. Para o México, a oportunidade só produzirá benefícios duradouros se o país desenvolver fornecedores locais, engenharia e atividades de maior valor acrescentado.

O que acompanhar

A revisão do USMCA, novos investimentos dos fabricantes, o conteúdo mexicano efetivo dos servidores, a formação de engenheiros e eventuais tarifas norte-americanas sobre equipamentos de centros de dados.

FONTE ORIGINALFinancial Times
04

Uber constrói rede de mais de 30 parceiros para veículos autónomos

Depois de vender a sua própria unidade de condução autónoma, a Uber regressou ao setor através de participações, acordos tecnológicos e integração de frotas externas.

Automóvel autónomo ligado a uma rede de fabricantes, fornecedores tecnológicos e operadores de frotas

A Uber procura controlar a distribuição e a procura sem voltar a assumir sozinha o custo e o risco de desenvolver a condução autónoma.

O que aconteceu

Um levantamento da TechCrunch identificou mais de 30 empresas de veículos autónomos com as quais a Uber estabeleceu parcerias ou investimentos durante os últimos dois anos. A rede inclui fabricantes automóveis, empresas de condução autónoma, gestores de frotas, operadores de entregas robotizadas e fornecedores de computação. A Uber vendeu a sua unidade Advanced Technologies Group à Aurora em 2020, mas conservou participações e começou a reconstruir a presença no setor através de acordos.

Porque importa

Se a estratégia funcionar, diferentes empresas fornecerão veículos e tecnologia, enquanto a Uber controla a aplicação, os clientes, os pagamentos e parte da operação das frotas. O modelo reduz o risco de investigação interna, mas cria uma rede tecnicamente fragmentada. Acidentes, investigações ou falhas de um parceiro podem atingir a reputação da Uber mesmo quando o software não lhe pertence.

O que acompanhar

O número de viagens realizadas sem operador de segurança, a rentabilidade dos serviços autónomos, os custos de manutenção e carregamento das frotas, investigações sobre acidentes e possíveis conflitos com os motoristas humanos da plataforma.

FONTES ORIGINAISTechCrunch Uber Autonomous

02 / NEGÓCIOS E MERCADOS

04 NOTÍCIAS

01

Estados Unidos e Japão coordenam intervenção para travar queda do iene

O Japão deverá confirmar a primeira intervenção conjunta dos dois países sobre o iene desde 2011, segundo fontes governamentais citadas pela Reuters.

Notas de iene e dólar ligadas numa intervenção coordenada dos mercados cambiais

A intervenção é rara e potencialmente poderosa, mas a informação ainda dependia de fontes governamentais e aguardava confirmação oficial completa.

O que aconteceu

A Reuters noticiou, citando dois responsáveis japoneses, que Japão e Estados Unidos atuaram conjuntamente no mercado cambial para travar a queda do iene para o nível mais baixo face ao dólar desde 1986. Segundo uma das fontes, a operação ainda estava em curso. Dados do Banco do Japão indicavam que o país poderia ter vendido até 58,97 mil milhões de dólares para comprar ienes. No momento da reportagem, a informação ainda não tinha sido confirmada publicamente pelos ministérios japonês e norte-americano.

Porque importa

Uma intervenção coordenada envia um sinal mais forte do que uma atuação isolada do Japão. A fraqueza do iene encarece as importações e alimenta a inflação. Ao mesmo tempo, uma venda maciça de títulos do Tesouro norte-americano para financiar a intervenção pode aumentar os juros de longo prazo nos Estados Unidos. A cooperação procura estabilizar o câmbio sem criar uma nova perturbação no mercado obrigacionista.

O que acompanhar

A confirmação oficial da operação, a dimensão total das compras de ienes, a reação dos mercados, a próxima decisão de juros do Banco do Japão e a eventual continuação da participação norte-americana.

FONTE ORIGINALReuters
02

Mercado obriga a Reserva Federal a defender a sua credibilidade

Os juros das obrigações norte-americanas a 30 anos ultrapassaram 5,2%, o nível mais elevado em 19 anos.

Edifício da Reserva Federal diante de uma curva ascendente dos juros da dívida a longo prazo

Quando os investidores duvidam do combate à inflação, exigem um prémio maior para financiar o Estado — e esse custo espalha-se pela economia.

O que aconteceu

Alberto Musalem, presidente da Reserva Federal de St. Louis, afirmou ao Financial Times que a venda de títulos do Tesouro mostra a necessidade de a Fed reforçar a credibilidade no combate à inflação. Musalem, que não vota este ano no comité de política monetária, defendeu uma subida gradual de 0,25 pontos percentuais. A Fed manteve os juros, mas três dos 12 membros votaram por um aumento imediato. Os juros das obrigações a 30 anos ultrapassaram 5,2%, atingindo um máximo de 19 anos.

Porque importa

Quando os investidores duvidam da determinação de um banco central, exigem juros mais elevados para financiar o Estado a longo prazo. Isso aumenta o custo das hipotecas, do crédito empresarial, da dívida pública e de investimentos em infraestrutura, incluindo centros de dados. A Fed enfrenta um equilíbrio difícil: subir demasiado depressa pode travar a economia; esperar demasiado pode consolidar a inflação.

O que acompanhar

Os próximos dados de inflação e emprego, a decisão da Fed em setembro, a evolução dos juros a 10 e 30 anos e o impacto sobre o crédito imobiliário e o investimento empresarial.

FONTE ORIGINALReuters
03

Exportações levam vendas da BYD ao terceiro mês de crescimento

As vendas globais cresceram 21,8%, enquanto as exportações mais do que duplicaram e compensaram a fraqueza do mercado chinês.

Navio de transporte automóvel carregado com veículos elétricos destinados a mercados internacionais

Quase 43% dos veículos vendidos pela BYD em julho seguiram para mercados externos, tornando a internacionalização central para o crescimento.

O que aconteceu

A BYD vendeu 419.211 veículos em julho, mais 21,8% do que no mesmo mês do ano anterior, segundo cálculos da Reuters baseados nas declarações oficiais da empresa. Foi o terceiro mês consecutivo de crescimento das vendas globais. As exportações de automóveis de passageiros e carrinhas atingiram 179.841 unidades, uma subida homóloga de 124,3%, compensando o desempenho mais fraco no mercado doméstico chinês.

Porque importa

Quase 43% dos veículos vendidos pela BYD em julho foram enviados para mercados externos. A internacionalização deixou de ser complementar e tornou-se central para o crescimento. A expansão aumenta a pressão sobre fabricantes europeus, japoneses e norte-americanos, mas expõe a empresa a tarifas, investigações sobre subsídios e custos de construção de fábricas fora da China.

O que acompanhar

A produção europeia da BYD, as margens obtidas fora da China, as tarifas e investigações europeias, a evolução das vendas domésticas e a resposta dos fabricantes tradicionais.

FONTE ORIGINALReuters
04

Luxemburgo: maioria dos estaleiros encerra até 23 de agosto

As férias coletivas da construção pararam a maioria das obras, com apenas 147 estaleiros e cerca de 750 trabalhadores abrangidos por exceções.

Estaleiro de construção no Luxemburgo temporariamente encerrado durante as férias coletivas de verão

A pausa é uma tradição laboral amplamente aceite, mas exige planeamento de clientes, fornecedores e projetos urgentes durante três semanas.

O que aconteceu

As férias coletivas anuais da construção começaram na sexta-feira e encerraram a maioria dos estaleiros do Luxemburgo até 23 de agosto. Segundo a RTL, foram concedidas exceções a 147 estaleiros, envolvendo cerca de 750 trabalhadores. As autorizações abrangem sobretudo escolas, obras rodoviárias urgentes e trabalhos de manutenção em instalações industriais, e a participação dos trabalhadores é voluntária.

Porque importa

A pausa coordenada dá previsibilidade aos trabalhadores e permite que as empresas façam manutenção de equipamento, mas concentra três semanas de interrupção num setor essencial. Clientes, fornecedores e promotores têm de ajustar calendários, entregas e pagamentos. O efeito não é uma crise: é uma paragem programada com impacto operacional real em grande parte das obras do país.

O que acompanhar

O cumprimento das exceções autorizadas, a conclusão de obras urgentes, eventuais atrasos no regresso, o efeito das temperaturas elevadas sobre os trabalhadores e a retoma dos projetos a partir de 24 de agosto.

FONTE ORIGINALRTL Today

MÉTODO EDITORIAL

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